quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Usina Cruangi: um dia após audiência pública na ALEPE , decisão do Judiciário hoje



 Com a terceira maior safra do Estado, a Usina Cruangi, localizada no município de Timbaúba (Zona da Mata Norte de Pernambuco), não paga, há mais de 90 dias, o salário dos funcionários e pode não iniciar a moagem prevista para setembro. O tema, que já foi debatido em audiência pública na localidade, voltou a ser discutido, ontem, na Assembleia Legislativa, durante um Grande Expediente Especial. O encontro, solicitado pelo deputado Aluísio Lessa, aconteceu um dia antes de o Tribunal Regional Federal (TRF) julgar o desbloqueio dos bens da indústria. Uma disputa judicial entre os acionistas da empresa é a causa da situação. A dívida da unidade ultrapassa R$ 8 milhões. 
A Audiência contou com a presença de diretores da Fetape e dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de seis municípios da Mata Norte, do Secretário da Casa Civil, Tadeu Alencar, do presidente da  CUT Pernambuco, Carlos Veras,  e de autoridades de diferentes setores.

Na abertura do encontro, o presidente do Parlamento Estadual, deputado Guilherme Uchoa (PDT), alertou que “o não funcionamento da usina prejudicará o início da moagem e que esse problema reflete diretamente na região de Timbaúba”.

Segundo Lessa, a expectativa para o julgamento do TRF é pela liberação do pagamento dos trabalhadores e fornecedores. “A situação preocupa tanto os parlamentares quanto os órgãos representativos dos funcionários”, reforçou.

O deputado Manoel Santos (PT) também se solidarizou com a situação dos trabalhadores e ponderou que  “o setor sucroalcooleiro foi implantado, na região, com recursos públicos, então  os empresários têm que ser capazes de gerar empregos dignos”.
O chefe da Casa Civil, Tadeu Alencar, destacou que o Estado entrou nesse debate porque está atento aos interesses dos trabalhadores da Usina Cruangi.
 
Para o presidente da Fetape, Doriel Barros, a decisão é política. “A situação dos agricultores é crítica. Não somos radicais, mas não podemos permitir que usineiros desrespeitem os trabalhadores, que haja falta de compromisso social com esses homens e mulheres que estão há mais de 90 dias sem receber salário”, avaliou. Ele acrescentou que o funcionamento da Usina é importante para a geração de empregos, mas não pode ser de qualquer jeito. “Se os gestores dessa empresa não querem garantir a dignidade dos canavieiros, o Governo e o Legislativo precisam nos ajudar. Acreditamos que essa audiência ajudará no fim do impasse”.
Só a cana que a empresa possui está calculada em mais de R$ 25 milhões , segundo a Associação dos Fornecedores de Cana
O advogado da Usina Cruangi, Alexandre Luna, leu nota de esclarecimento do grupo. Segundo o documento, houve uma redução de R$ 30 milhões na linha de crédito com os bancos e isso comprometeu as operações financeiras da empresa.

Já para o representante dos acionistas minoritários da usina, Júlio Oliveira, o problema da Cruangi é gerencial. “É inadmissível que uma empresa que faturou R$ 164 milhões, em 2011, não pague seus trabalhadores. Colocar a culpa no Judiciário é se afastar das responsabilidades”, pontuou.